Apresentação Enredo 2020

É na moda de viola que agora vou contar um pouco da minha terra e da paz que ela me traz. Nas belas manhãs dos campos, vejo o sol surgindo ao longe para aquecer meu paraíso, meu pedacinho de chão, é minha fazenda querida, cartão postal do meu torrão.

Avisto a beleza das serras, com o verde das matas em seus cumes.

As nascentes de águas límpidas, brotando por entre os vãos

Vão descendo lentamente e se juntam ao rio Tybaia.


É rio da minha infância, quanta história me faz lembrar...

Seu nome é herança indígena, não vivi naquele tempo, mas reconheço a importância dos habitantes primeiros.

Nas minhas doces lembranças, nunca deixo minha viola e nas modas que componho, sol e lua me acompanham.


Meu pedacinho de chão tem beleza, fauna e flora, a exuberância é presente e me enche os olhos d’água.

Minha gente é hospitaleira, trabalhadora, forte e guerreira, tem no sangue a mistura e as crenças dos muitos que aqui chegaram.

E nessa moda de viola, faço gosto de contar

De uma terra pequenina, cresceu altiva e pujante e hoje está entre as mais belas das cidades sobranceiras.


Ah viola, minha amada companheira

Na história da minha terra, o eco do tropel das bandeiras, que de glórias e bravuras surgiu vila pioneira.

Foi bem nas terras fazendeiras, que a agricultura se fez.

Com as mãos escravizadas dos negros, que hoje com orgulho, exalto e devo tanta riqueza.

Sou violeiro matuto, das coisas simples do campo, vi o progresso chegando com a tal da industrialização, mas sou caboclo da terra, minhas raízes não perco não.

Gosto do meu refúgio,de ouvir o cantos dos pássaros, do cheiro do capim molhado, das noites enluaradas...

Eu vivi e vi muita coisa, que jamais imaginei

Mas o trem Maria Fumaça o mundo novo me fez ver

Outros tempos, novos costumes, cultura e muito mais


Vou dedilhando a saudade...

Sinto orgulho da minha cidade

E agradeço aos índios, negros e imigrantes europeus que a ajudaram a construir sua história.

Viva a congada, cavalhada e reisado!

Viva Nossa Senhora do Rosário!

Viva minha viola que embala as festas juninas com as bênçãos do padroeiro, São João Batista!


Aqui tem sempre um ombro amigo, onde nos recostamos

Lugar inviolável, arrumado para nos comover

Para quem gosta da noite, muita música e comida da boa

Festivais diversos, e até um que tem concurso de cinema


Nas Igrejas a arte barroca revela a história e devoção

No Santuário, procissão, para agradecer a mãezinha

Nesse pedaço de chão, a fé embala o meu povo que clama aos santos com louvor.


Por onde passo um recanto, um símbolo um monumento...

Até um templo de paz, símbolo da nossa irmandade.

Artesanato, apiário e outras coisas mais...


Sou um cidadão comum, que só quer contar das belezas da minha terra

Tenho comigo uma viola e as lembranças da aurora da minha vida


Atibaia é minha paixão, seu nome se eleva no perfume das mais belas flores que viaja pelo vento e borrifam os verdes das matas em seus montes e na doçura dos seus campos avermelhados de morango.


Me emociono com seu céu de extremo azul,

E na perplexidade das asas de homens pássaros que voam colorindo o horizonte, de onde se enxerga o mais lindo cartão postal, Pedra Grande, que acolhe a vida entre as serras que assoviam o mais puro ar e mata a sede com suas fontes de águas puras.


Falar de você, é falar das mais variadas manifestações folclóricas que alegram o correr dos meus dias, dos passeios na estação ferroviária, onde vejo a criançada feliz, das suas festas corriqueiras da uva, pêssego, morango e flores que embalam a primavera.


Dedico minha última moda de viola aos nossos amigos japoneses, que trouxeram com a sua cultura esse frescor das frutas e flores que faltavam no meu chão e que hoje se consagra como a cidade das flores e do morango.


Minha cidade pitoresca e acolhedora, sempre cantarei o meu amor por você ao som da minha doce e companheira viola!